O ANATÔMICO

DÉCIMO QUINTO CAPÍTULO DE O ANATÔMICO

 


No capítulo anterior...

Vitor está em casa congela na tela do Notebook, ele nem pisca. Lágrimas pela primeira vez correm sobre seu rosto. Ele não pode acreditar no que ele leu tantas vezes. Uma reportagem assustadora enche a tela. É inacreditável ao ver daquele que tinha tanta fé em suas convicções. Mas o que lhe orgulhava, por achar ser o topo está falido.

“Matéria” – Corpos de jovens são achados. Eles foram assassinado com requinte de crueldade. Com cortes por todo corpo os policiais acreditam que o motivo está relacionado a briga de gangues”.

No momento atual...



CENA 1

Vitor não consegue mexer um milímetro sequer. Sua mente dá voltas, imagens como se fossem vídeos passam. Um cinema individual onde só as lembranças de seus irmãos de guerra imperam.

Vitor (chorando) – Como? Como meu Deus? Eles estão todos mortos. Aquele maldito matou todos eles, cortou os pescoços sem e derramou todo sangue dos meus irmãos. Olha. Estão todos retalhados. Mas como aquela bixa frágil pode fazer isso com todos.

Vitor resolve sair. Ele vai em direção à casa de Matheus. Uma fúria muito grande toma conta do seu coração. Ele queria entender como Matheus fez. Pro Vitor ele era somente um homossexual imprestável, marginalizado pela sociedade conservadora, um simples lixo qualquer.

Em sua mansão Matheus está na janela do seu quarto, a vista que ele tem da rua é ampla.

Empregado – Senhor Matheus, precisa de alguma coisa?

Matheus – Não, estou satisfeito, pelo menos por enquanto.

O seu empregado passa a olhar também para a janela. Matheus solta um leve sorriso.

Empregado – O senhor está esperando alguém, não está?

Matheus Sim estou.

Empregado – Mas senhor é muito tarde, o senhor não acha muito perigoso não?

Matheus – Medo do perigo é para os fracos. Eu estou no aguardo deste encontro perigoso.

O empregado fiel à Matheus a tanto tempo sai deixando-o sozinho.

De longe Matheus avista Vitor. Ele percebe em seus passos que o Skinhead está enfurecido. Ele solta um gargalhada com a situação.

Matheus – Vou descer, a raiva daquele boy me espera.

Antes o jovem homossexual, pega uma pistola ponto quarenta e então sai.



CENA 2

Eduardo está em casa, muito preocupado, pois ele chegou e sua mãe até agora não apareceu. Ele já passou em vários bares para ver se ela estava em algum deles, mas não obteve nenhum sucesso. Ele liga para o seu celular e nada de sua mãe aparecer. Então ele resolve pegar a moto e procurar por sua mãe mais uma vez pelas redondezas do bairro.

Elisabete mãe que tanto preocupa o filho Eduardo está no alto do monte da cidade. Ela está muito alcoolizada, mas parece que os seus sentimentos, nunca estiveram tão sóbrios.

Elisabete – Não suporto mais essa vida meu Deus. Meu filho também não deve estar suportando ver sua mãe definhando dia a pós dia. Eu não consigo largar esta desgraça de bebida. Não aguento mais. Então eu vou fazer, não por mim e sim por meu filho que é tão bom e eu amo tanto. Tudo isso acaba hoje.

Elisabete olha para baixo, ela vê o abismo que ela está preste a entrar, ou ela já está a muito tempo em um abismo? Ela não desiste da ideia, na verdade mais coragem adentra o seu corpo. A mulher cansada de viver como escrava do álcool se despede do mundo e pula. São mais de 250 metros. O seu corpo chega ao chão depois de alguns segundos. Um barulho abafado no terreiro do quintal de uma casa o local que ela cai, anuncia a sua morte.

Simultâneo a queda Eduardo sente uma forte dor no coração. Mesmo assim ele continua na moto procurando a sua mãe. De repente ele a vê em sua frente. Ele freia bruscamente e grita:

Eduardo – Mãe, o que a senhora está fazendo aí bem no meio da rua.

Ela vira e olha para ele dando um leve sorriso. Ela está com uma aparência ótima, nem parece uma alcoólatra de longa data.

Eduardo – Mamãe você está bem?

Elisabete (espírito) – Agora tudo está bem, siga sua vida feliz. Sei que de princípio será complicado, mas você vai acostumar com a minha ausência. Afinal eu mais que atrapalhava do que fazia meu papel de mãe não é mesmo?

Eduardo – Do que a senhora está falando? Eu não consigo entender nada.

Elisabete começa a andar, Eduardo chama por ela, mas ela não responde, só olha para ele sorrindo e acenando um tchau. Ele grita tão forte que acorda que estava dormindo. Ela some na rua meio escura da cidade, ele não vê mais nada.

Moradores saem para ver que barulho era aquele e vê ele caído desacordado. Eles chamam uma ambulância que o leva para o pronto-socorro da cidade.

CENA 3

Vitor fica parado na frente de Matheus. Seus olhos estão ardendo em chamas. Matheus porem expressa uma feição tranquila, serena.

Matheus – Então Vitor? Percebo que você já tem a resposta a aquela pergunta que você me fez mais cedo correto?

Vitor – Como você conseguiu fazer aquilo com eles. Você não tem capacidade, força habilidade para fazer aquilo sozinho. Teve a ajuda de alguém, não teve?

Matheus – Isso aí querido, vocês foram covardes comigo, me colocando em uma armadilha. Mas não sabiam que na verdade era eu que estava preparando uma armadilha para vocês. Meus colaboradores estavam lá esperando. No momento oportuno, todos foram pegos e o resto você já imagina.

Vitor arde em cólera e parte para cima do gay, ele tenta golpeá-lo com o soco, Matheus desvia e imobiliza Vitor com uma gravata. Matheus saca a arma e aponta para a cabeça do Vitor.

Matheus – Poderia muito bem te matar agora.

Vitor – Então por que não faz?

Matheus – Apesar de que seria muito divertido, meu irmão disse que algo mais está preparado para você

Vitor – O que você está dizendo? Você é louco.

Matheus – Eu louco? E aqueles que matam homossexuais por terem medo de se tornar um, por não saber conviver com o diferente, por ser um completo lixo que sobrevive com a desgraça alheia. No mais somos iguais, pois eu também sobrevivo com a desgraça alheia. Desgraças como vocês este é meu prato principal.

Matheus dá uma coronhada no seu desafeto que adormece.

CENA 4

Manhã do dia seguinte.

Lorena está na casa de sua avó a Margarida. Ela observa aquela casa humilde quase sem móveis. Ela imagina como seria a vida dela se a mãe não tivesse abandonado ela.

Margarida – Pode sentar minha filha. Minha casa é pobre, porque eu sou pobre. Além de estar muito suja, pois como estou muito velha não aguento limpar sempre.

Lorena – Você sabe por que estou aqui, não sabe?

Margarida – Acredito que é para que conversemos para que o nosso vínculo seja retomado.

Lorena solta uma risada muito alta.

Margarida – Do que ri minha filha.

Lorena – Eu não sou sua filha só para começar. E depois estou rindo porque você é uma velha iludida que acha que eu vou retomar vínculo com você. Estou aqui para testemunhar a sua morte. Você vai morrer sua velha, uma morte dolorosa para aprender que uma criança não se abandona.

Margarida – Menina não seja rude, eu sou a sua avó.

Lorena – Vá para o inferno, maldita do caralho.

CONTINUA 

DE SEGUNDA A SEXTA 21H00


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