Refúgio Da Paixão - Estréia




Cidade Lago Norte de Brasília 2001
Cena 01: Casa de Romildes/Sala de Estar/Dia;

*Diana chega a sua casa depois da aula.

Romildes - Boa tarde filha! Como foi a aula?
Diana - Foi ótima!
Romildes - Que bom... Tenho tanto orgulho de você, porque você é uma boa aluna, dedicada e tira excelentes notas.
Diana – Eu tento me esforçar cada vez mais.
Romildes – Fico muito feliz por você minha filha. Se eu tivesse tido uma oportunidade eu teria estudado muito na sua idade, mas essa falta de oportunidade que me fez vir morar aqui com seu pai.
Diana –  A senhora já me contou isso várias vezes mãe, só que eu gosto muito de conversar sobre essas coisas com a senhora.
Romildes – Depois a gente conversa mais filha, vou encontrar seu pai no mercado pra comprar carne pro jantar e já volto.
Diana – Ok, eu vou organizando algumas coisas enquanto isso.
Romildes: Obrigado Diana, você me ajuda muito. Tranca a porta porque é perigoso você ficar sozinha com essa porta aberta.

*Romildes sai andando pela rua pra encontrar Zélio no mercado.

Cena 02: Casa/Quarto/Noite;

*Romildes está na porta de seu quarto e Zélio está deitado.

Romildes – Zélio eu preciso falar com você.
Zélio – Desembucha mulher. Ta com a cara de preocupada desde cedo.
Romildes – Eu to achando muito estranho essa história de você estar na lista de operários da construção da Ponte JK. Você não tem muitos anos de experiência... Eu acho muito perigoso.
Zélio – Eu não entrei nessa profissão ontem. Não tem esse negócio de perigoso. Como eu já disse essa é minha profissão e o meu suor que trás dinheiro pra essa casa, é minha obrigação... Eles mandam e eu faço é assim que funciona.
Romildes – Eu sei disso meu amor. Você sabe que eu me preocupo não dá pra confiar. E você sabe que eu só parei de trabalhar porque não tinha ninguém pra olhar a menina, minha irmã mora longe e ela trabalha o dia todo e eu não tenho mais ninguém nesse mundo além de vocês.
Zélio – Então ta. Pare com essa conversa doida e venha-me dar um beijo.
Romildes – Antes eu já vou logo avisando que amanhã eu vou acompanhar você no ônibus pra ver essa construção de perto e vou deixar a Diana na casa da Milena, amanhã tem reunião de professores e ela não tem aula.
Zélio – Se você se comportar pode até ser que eu deixe você ir. Kkkk

*Os dois riem e se beijam em seguida.

Cena 03: Casa/Cozinha/Dia;

*Amanhece e Diana chama pela mãe.

Diana: Mãe eu já estou pronta pra ir pra casa da minha tia.
Romildes: Só falta o seu pai ficar pronto, vamos nós três aí eu deixo você na casa da Milena e depois vamos pro ponto de ônibus esperar o transporte de operários

*Zélio chega à cozinha

Zélio: Estou pronto mulher aperreada vamos logo de uma vez.    
  
Diana, Romildes e Zélio saem rumo à Asa Norte de Brasília deixam Diana na casa de Milena e vão para o ponto de ônibus.

Cena 04: Ônibus/Int./Dia;

Romildes: Zélio eu estou achando esse ônibus tão “acabado” e com um barulho estranho.
Zélio: É pra você ver o que eu passo todo santo dia no caminho do trabalho.
Romildes: Eu sabia que o ônibus era ruim, mas não imaginava que fosse deteriorado desse jeito. Estou com uma sensação de que esse ônibus vai dar pane logo.
Zélio: Pare de agourar porque se isso acontecer eu vou chegar atrasado, de qualquer maneira eu já iria chegar em cima da hora.

*O freio do veículo para de funcionar e o motorista perde o controle da situação e avisa para os para os passageiros que estão apavorados.

Motorista: O ônibus está sem freio, mas acalme-se que ele volta a funcionar daqui a pouco, é o que eu espero...

*Romildes sente falta de ar e começa a gritar desesperada

Romildes: SOCORROOOOO! PAREM ESSE ÔNIBUS.
*O ônibus cai numa ribanceira.


Os bombeiros chegam e resgatam os passageiros, mas alguns incluindo Romildes e Zélio não sobreviveram. A imprensa chega e registra tudo. Mais tarde a notícia já se espalhou e finalmente Diana fica sabendo.

Cena 05: Casa de Milena/Sala de Estar/Noite;
Jornalista: Ônibus capota com 38 passageiros. Hoje pela manhã um motorista de ônibus perdeu o controle do veículo depois que o freio parou de funcionar e o governo vai convocar novos operários para dar continuidade à construção.

*Milena fica chocada com a notícia.

Milena: Não pode ser... Isso não pode estar acontecendo meu Deus... NÃOOOO!

Diana aparece assustada com os gritos de sua tia e Milena está sem palavras.

Diana: O que aconteceu?                                                      
Milena: Sua mãe... O seu pai...
Diana: Aconteceu alguma coisa? A senhora ta preocupada porque eles ainda não apareceram pra vir me buscar? Fala tia. O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
Milena: Minha linda aconteceu uma tragédia sem tamanho. O ônibus em que estava a sua mãe e o Zélio acabou capotando depois de perder o freio.
Diana: E eles estão aonde? No hospital?
*Milena não sabe como explicar e acaba falando tudo de uma vez só e Diana fica transtornada.
Milena: Eles faleceram. Infelizmente eles não resistiram ao acidente.
Diana: Como assim? Não... Não pode ser verdade uma coisa dessas.

*Milena consola Diana e as duas choram.

Milena: Você vai ficar aqui comigo. Vou cuidar de você, vou lá com você buscar suas coisas e arrumar uma maneira de você vir estudar aqui perto.
Diana: Sem a senhora comigo nesse momento eu não sei o que seria de mim. Aconteceu tudo muito rápido. Obrigado por tudo tia.

*Diana passa o resto de sua adolescência  sofrendo com o acontecimento.

14 Anos Depois

Asa Norte de Brasília 2015
Cena 06: Sala de Estar/Dia;
Diana está procurando os currículos para sair procurando um emprego
Milena: Diana o que você está fazendo?
Diana: A senhora não lembra que eu falei que ia procurar um emprego assim que eu terminasse o curso?
Milena: Sim, mas eu não sabia que seria tão rápido.
Diana: Era um curso rápido pra aprender só o básico dessa profissão de atendente, enfim eu estou procurando meus currículos eu deixei aqui em algum lugar.
Milena: Deve ser os que estão dentro da gaveta da estante.

*Diana vai até a gaveta e pega os currículos

Diana: São esses mesmos. Beijos tia eu tenho que ir depressa.
Milena: Tchau vai com Deus. Boa sorte, daqui a pouco eu tenho que ir também.

*Diana se despede da tia e sai do prédio, depois pega um ônibus até a W3 Sul

Cena: 07 W3 Sul/Avenida/Dia;

*Diana descobre pelas bancas de jornal que abriram vagas para atendente bancário em vários bancos e deixa currículos em todos eles. Diana liga para Milena depois de passar o dia inteiro entregando currículos.

Diana: Oi tia já entreguei muitos currículos. A senhora já está em casa?
Milena: Estou chegando. Você está vindo?
Diana: Acabei de pegar o ônibus daqui uns 30 minutos eu to ai, tchau.
Milena: Se cuida.
*No dia seguinte Diana acorda e vai até a cozinha.

Diana: Bom dia tia dormiu bem?
Milena: Bom dia eu dormi muito bem!
Diana: Pois é ontem eu cheguei tão cansada e já fui deitar.
Milena: Era isso que sua mãe queria que você fosse batalhadora e guerreira assim como ela era.
*O telefone toca.
Diana: Alô.
Gerente (por telefone): Aqui é do Banco Fernandes em que você deixou currículo que foi bem avaliado porque você já foi vendedora e fez um curso muito bom. Você foi contratada e vai passar por um treinamento de uma semana pra começar a trabalhar.

*Diana comemora.

Diana: Que ótimo eu prometo que vou tentar me sair muito bem no treinamento.
Gerente (por telefone): Isso é bom porque gostamos de pessoas profissionais e esforçadas. Qualquer novidade nós entramos em contato o treinamento começa semana que vem.
Diana: Ok, obrigado pela oportunidade.

*Diana desliga o telefone e conta pra sua tia.

Milena: Quem era? Conta-me tudo.
Diana: Era do banco eles me chamaram pra fazer um treinamento pra começar a trabalhar. Ah tia eu estou tão aliviada e muito feliz por ter saído um emprego tão rápido.
Milena: Que bom fico muito feliz por você, mas por que saiu assim tão rápido?
Diana: Eles estavam precisando urgentemente de novos funcionários porque aumentou a demanda. O importante é que eu consegui.
·        As duas se abraçam muito felizes.
Semanas depois Diana está saindo do trabalho e é surpreendida por um assaltante.
Cena 08: W3 Sul/Lateral do Banco/Noite;
Januário: Passa a bolsa... Rápido passa tudo.
Diana se assusta e tenta pedir socorro, mas é impedida.
Diana: Socorro!
*O bandido tampa sua boca e a ameaça.
Januário: Se você tentar qualquer coisa eu te mato.
Diana consegue se soltar, mas continua sob a mira do homem e o confronta.
Diana: Você não vai levar minha bolsa.

*O bandido atira pra cima.


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