DÉCIMO SÉTIMO CAPÍTULO DE O ANATÔMICO
No capítulo anterior...
Lorena – Sabiam que eu ficaria muito feliz de
ser avó. Mesmo que seja cedo para isso, mas me sentiria honrada. Por que
fizeram isso comigo? Por que tiraram essa oportunidade de mim?
Wagner
e Alessandro se olham congelados um para o outro.
No momento atual...
CENA 1
Lorena – Eu estou esperando a coragem emergir
de um de vocês dois. Quero explicações. Por quê? Por que vocês não deixaram o
meu neto nascer? Como vocês foram capazes de matar uma criança? Sabe é um ser
puro, livre de pecado.
Alessandro – Sim mamãe eu te devo explicações. Mas
antes, como você soube disso?
Lorena – Quem realizou o aborto nada mais é que
sua bisavó biológica.
Alessandro – Aquela senhora, minha bisavó. Nossa
essa cidade é realmente pequena. Bom a verdade é que acidentalmente Carolina
ficou grávida, sabe usei camisinha mais algo deu muito errado e ela engravidou.
Ela não queria a criança, eu também não queria, sabendo que com o seu espírito
maternal não aceitaria a decisão do aborto resolvi recorrer a ajuda de meu pai
que me ajudou dando o dinheiro. E então...
Lorena
interrompe Alessandro e completa o que ele ia dizer com suas palavras.
Lorena – E então você e sua parceira resolveram
tirar a vida pura de um bebê sem pecado
e passível de misericórdia? Certo Alessandro, eu sei que vocês eram jovens para
serem pais, mas tendo famílias estruturadas, pelo menos de sua parte não é
admissível o que fizeram.
Alessandro – Eu também sei, foi um erro e vou levar
na minha costa no resto da minha vida.
Lorena – E além dela também. Agora não se pode
fazer nada, mas saiba que quero uma recompensa, eu quero outro neto e logo. Então
pode se apressar em casar com essa que você está aí enrolando e me dê um neto.
Alessandro – Mas não é tão fácil assim.
Lorena – Torne fácil.
CENA 2
Vitor
está morto, Matheus contempla o seu feito, mais uma vez ele sai por cima.
Matheus – Irmão realmente foi lindo ver esse
imprestável morrer aos poucos. Sabe cada gemido de dor e sofrimento que ele
soltou foi como opera aos meus ouvidos. Agora a carne podre dele será
descartada.
Lúcifer – Correto fiel irmão. Agora me
ausentarei, vou saborear umas almas ali que me foram doadas.
Matheus
acena para seu irmão rei dos demônios. Ele sobe para o seu quarto e liga para
um dos seus garotos, ele está a fim de se divertir.
CENA 3
Lorena
e Wagner estão no quarto. O silêncio reina plenamente, não há um barulho, até parece
que é palpável a calmaria. Wagner então resolve quebrá-lo.
Wagner – Nunca imaginei que ficaria tão brava,
traumatizada. Fico até pensativo. Como então você consegue se divertir vendo o
que você vê?
Lorena – Eu não me divirto vendo crianças serem
mortas sem piedade. Elas são concebidas sem pecado, elas não merecem isso.
Wagner – Entendo. O problema é de ela ser uma
criança.
Lorena – Wagner. Eu preciso te falar uma coisa,
grave e necessária.
Wagner – Você me traiu não foi?
Lorena – Sim, está tão visível assim?
Wagner – Você está com o mesmo olhar que fiquei
quando te trair. Lembra-se?
Lorena – Verdade sabe, eu não conseguir
suportar ver aquele que amei no passado à minha frente. Meu corpo pediu por ele
e eu aceitei e me entreguei a ele.
Wagner – Não vou te julgar. Você suportou até
muito tempo querida. Eu te deixo livre para sair com ele o quanto quiser.
Lorena – Não quero mais sair com ele.
Wagner
se surpreende com a resposta da sua esposa.
Wagner – Eu não entendi. Pensei que a paixão
antiga tinha se reaflorado.
Lorena – A paixão antiga se tornou algo mais
forte, uma sede. Quero-o de outra forma.
Wagner – Não me diga que você quer...
Lorena
o interrompe e diz:
Lorena – Eu quero transformá-lo em arte, aquela
arte que você pratica tanto. Ensina-me?
Wagner – Mas é claro que ensino. Nunca me
sentir tão satisfeito. Vou te explicar como funciona aí você poderá testar os
seus dons nele. Muito perfeito isso.
Wagner
se aproxima para beijá-la. Lorena desvia.
Lorena – Melhor não. Ainda não me recuperei do
fato de você ajudou a matar uma criança.
Wagner
se conforma com as palavras da sua esposa. Ele deita e vira para o lado oposta
à Lorena e vai dormir.
CENA 4
Todos
seguem em uma espécie de procissão. O enterro de Elisabete está se aproximando
do final. O caixão dela e colocado na cova e começa a descer. Eduardo chora, é
um choro silencioso. Ele se sentiu culpado por não ter conseguido libertar sua
mãe do álcool.
Matheus – Não se sinta culpado, você fez tudo
para salvá-la.
Eduardo – Obrigado por vir, te conheço tão pouco
e mesmo assim você se importou comigo.
Matheus – Estarei aqui para te ajudar no que
for. Sabe não se desespere, eu como sensitivo que sou, sei que sua mãe está
tranquila descansando feliz. Ela está muita orgulhosa de você, por não ter
desistido dela.
Eduardo – Obrigado, belas palavras.
O
enterro é finalizado, todos saem vagarosamente, Matheus se mostra prestativo e
acompanha o Eduardo ele o leva em casa.
CONTINUA
SÁBADOS E DOMINGOS 21:00

