As Filhas do Coveiro - 01 - Descubra a partir de agora por que o maior pecado é não amar

Autoria: Vander Dias
Edição de história e personagens: Guilherme Santos


“Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida.”
Pablo Neruda


Cena I

[Casa do Coveiro]

Blood - Levanta Marina vagabunda, não temos o dia todo pra você, precisamos aproveitar o movimento no centro pra vender nossas flores. (Blood joga um bule de água no rosto de Marina que dormia)


Marina - Ai Blood, estava sonhando que conheci um príncipe...

Blood - ZzZzZzZ Falou bem, gente como a gente só vai ver príncipe só em sonho e olhe lá!

Marina - Vem cá Blood, quando você fala que nunca se interessou por um homem você está falando sério?

Blood - Os homens não prestam minha irmã... Escreva, "EU NUNCA VOU ME APAIXONAR POR UM!"
Leonardo, o coveiro e pai das garotas as repreende.

Leonardo - Acho bom mesmo, a obrigação de vocês é cuidar do seu velho até ele ir para cova e isso não vai demorar muito...

Blood - Pai não fale isso...

Leonardo - No mínimo espero que vocês minhas filhas consigam me enterrar, fico imaginando o que será dessa cidade sem o seu coveiro, ainda mais nesse lugar que nada nasce, só anda morrendo... Maldita foi à vida que não quis me presentear com um filho macho!

Marina observa triste, Blood fica cabisbaixa, Leonardo gesticula:

Leonardo - Mas andem! Tomem seus cafés, se apressem... Ah, e cuidado com os pervertidos e sem vergonhas espalhados na rua, qualquer coisa eu arranco o pescoço do primeiro infeliz que se meter com uma de vocês com a minha foice e transformo em espantalho do meu cemitério e ponho para os urubus devorar o cafajeste!

Cena II
[Na região central de Montemor]



As irmãs terminam de estender as flores na barraquinha.


Blood - Bom Marina, você fica aqui cuidando das coisas enquanto isso eu vou ali levar umas flores lá pra minha santinha na igreja, pode ser? Vê se cuida de tudo direitinho...

Marina - Tá pode deixar.

Marina segue na tentativa de vender suas flores, mas todos que passavam ignoravam a filha do coveiro.

[Mistério] Um carro de grande porte em alta velocidade surge no cruzamento da rua, sem conseguir frear o motorista acaba atingindo a barraca de flores e destruindo boa parte das coisas, Marina desvia para não ser atingida, o motorista no veículo por sua vez passa sem dar nenhuma assistência.

Em prantos e desesperada Marina tenta recuperar algumas de suas flores.



Cena III
[Paróquia de Montemor]

Blood se aproxima com as flores rumo ao altar, quando é surpreendida por um mendigo bêbado, Lucas que dormia em um dos assentos.

Mendigo Lucas - Hummm, mas que flor mais formosa temos aqui (Ele se aproxima dela com um canivete).

Blood - Seu verme, nem na casa do Senhor você sabe mais o que é respeito!
Mendigo Lucas - Respeito é o que vou te mostrar se a gente for ali atrás da sacristia meu broto RÁ-RÁ-RÁ (Ele vai em direção dela, agarrando e tentando levantar sua saia para pegar em suas partes).

Blood - Que bafo de álcool! Me solta, me solta, seu verme asqueroso, eu vou gritaaarrrrr, que nojo! SOCOOOORRRRRRRRRRRRRRRRRRRRO! 
Mendigo Lucas - Se você gritar eu corto sua garganta...

O Padre Thomas surpreende o bêbado de costas, com um vaso atinge a cabeça do homem que cai desmaiado. Marina fica impressionada com a atitude do padre.

Blood - O senhor salvou a minha vida (beija as mãos dele).

Thomas - Você está bem?

Blood - Eu pensei que fosse morrer (desaba a chorar nos braços de Thomas que a consola)

Thomas - Você está segura agora. Como se chama? (continuam abraçados)

Blood - Blood.

A química entre os dois é notória e imediata.

Surge Buuh, a beata no alto seu salto quinze centímetros.

Buuh - Thomas, mas que pouca vergonha é essa?

Thomas - A senhora está enganada, não tem nada demais no que está vendo, essa moça quase foi atacada por este homem desmaiado no chão.

Buuh - Também quem manda sair vestida por aí que nem uma rameira imunda, tá pedindo para ser devorada mesmo!  Moça decente não sai por aí sozinha, muito menos fica por aí se esfregando no padre que é um rapaz jovem. 

Thomas - A senhora me respeite tia Buuh, e respeite o senhor dono desta casa sagrada! Ela só está na casa de Deus, assim como a senhora. Não se pode julgar o próximo dessa forma, por favor. (Blood sai correndo assustada com as palavras de Buuh, Thomas tenta contê-la) – Blood, volte aqui, por favor.



Cena IV
[Cruzamento da Praça Matriz de Montemor]


Marina - FLORES, FLORES, FLORES, AINDA TEM MARGARIDA, MAGNÓLIA, ROSA E VIOLETAAA... OLHAAAAAA AS FLORES... (gritando no meio da rua) – Olha as flores minha senhora vai querer? (pergunta às mulheres que passavam pela rua e faziam pouco caso em dar atenção a filha do coveiro).

De costas é surpreendida pelo carro que trombara há pouco em sua barraca. De dentro do veículo emerge um jovem e belo rapaz.

Thiago - Nenhuma delas é mais linda do que você! (Se referindo às flores. Marina fica sem graça com o elogio) – Marina ne o seu nome? Eu vou querer levar todas (prossegue ele).

Marina - Você de novo? qual é a sua? Olha aqui mauricinho, você pode ter o melhor carro do mundo, ter dinheiro, boa pinta e o diabo a quatro, mas você não tem o direito sequer de sair andando por aí achando que pode passar por cima de tudo.

Thiago - Olha, eu sinto muito... Eu queria reparar os danos que eu lhe causei... (Ele sai do carro, retira o talão de cheque do bolso) – Pode ficar calma, que seu dia de trabalho não vai ser perdido, será que esse valor é capaz de compensar todo o estrago causado? (entrega a ela o cheque)

Marina arregala os olhos

Marina - Oh se dá! Isso é aqui nem eu nem minha irmã conseguimos juntas em um mês de trabalho moço... De verdade, eu não posso aceitar!

Thiago- Não seja orgulhosa, esse valor é mais do que justo, você não precisa mais trabalhar hoje, eu te levo pra casa (abre a porta do carro para ela)

Marina - Espera aí, eu nunca te vi pelas redondezas, chega aqui na minha vila como se fosse o dono, destruindo minha barraquinha, me volta cheio do cheque e ainda quer que eu monte no seu carro? que que é isso? Meu bem, eu não sou dessas tá?

Thiago - Não pense bobagem (dá risadas) minhas intenções são as melhores contigo, pode acreditar, por favor, entra e diga onde você mora que eu te deixo na porta da sua casa, eu vou me comportar durante o caminho todo, prometo.

Marina - Tá bom acredito. Vou te dar uma chance então. (ambos se correspondem com risos).

Os dois entram no carro e seguem caminho.



Cena V
[Pensão de Montemor]



No apartamento de Oliver: Deprê e Oliver, os dois amantes estavam se acabando em um sexo bem animal...

Deprê - Ah! Ahhhhhhhh! Uhhhh! Uhhhh! Ahhhhhhhhhhhhhhh dê-me mais seu frouxo! Me lacra de prazer vai...Me lacraaaaa (gritava ela cheia de prazer cavalgando sobre o rapaz que estava com os braços amarrados na cabeceira da cama e era esbofeteado ao mesmo tempo).
Oliver - Sua sádica! Adoro... Tenho surpresinha para você, toma todo leitinho “Deprirola toma tudo, toma...

Deprê se levanta e vai em direção as partes baixas do rapaz, quando então olha para o relógio de parede...

Deprê - Tô atrasadaaa, minha nossa tão me esperando em casa já tá quase na hora do Thiago chegar...

Oliver - Ah não, num acredito que cê vai me trocar pelo playba bocó? Sério Lacrí?

Deprê - Amorzinho, eu tenho que ir, o meu futuro, ou melhor, o nosso futuro está nas mãos dele, a partir de agora eu sou uma noiva comportada tá?

Oliver - Comportada sei, só se for dormindo e olhe lá, aposto que mesmo dormindo você não larga uma rola assim como um cachorro que não larga o osso da boca (risos). 
Deprê - Babaca, fui bessos (se veste e sai correndo).

Oliver - Heyyyyy você vai me deixar aqui assim amarrado mesmo? Sua bandidaaaaa...


Cena VI
[Estrada de terra de Montemor]


No meio da estrada de terra, o carro de Thiago para de funcionar.

Marina - O que foi isso?

Thiago desce para ver o que aconteceu, levanta o capô do carro, em seguida retira a camisa que vestia amarrando na cintura e ficando apenas de regata onde exibia seus músculos bem distribuídos, e sorri para a moça.

Thiago - É parece que precisaremos de uma chupeta. 
Marina - Como é? (assustada, levantando-se do banco do carro).

Thiago - Me refiro ao motor. O óleo deve ter secado, mas fique tranquila porque se tem uma coisa que sou experto é em lubrificação, você quer ver? (Fala provocando, deixando Marina tentada). 

Marina - Acho que é melhor eu ir andando, logo logo vai anoitecer não devia ter aceitado a cortesia do senhor, não sei quais são as suas intenções comigo, ainda mais agora com essa história de carro quebrado aqui no meio do nada... Aliás, nem sei seu nome pra começar...

Thiago - Thiago... Prazer... Opa, não posso nem te dar a mão sujei de óleo (risos) Bom vou precisar da sua ajuda, você dá uma partida no carro enquanto eu mexo aqui na frente, depois só observe como sei dar o trato nessa máquina.

Sem que eles se dêem conta o motor do carro começa a esguichar óleo por todo o lado sujando-os. Os dois se assustam e se divertem.

Marina - Eu sabia que isso não ia dar certo, eu tô fedendo a óleo queimado, olha a nossa situação.

Thiago - A boa notícia é que não vamos mais ficar aqui sendo comidos pelas muriçocas já que o carro ainda tá funcionando...  A má é que estamos sujos e fedidos como pode ver rsrs. Se não me engano estamos bem próximos da cachoeira que adorava frequentar quando era criança, eu vou é me lavar antes que essa graxa fique impregnada em mim, te recomendaria o mesmo rs.

Thiago segue em direção à cachoeira adentrando a mata, Marina com medo de ficar sozinha na estrada o segue.

[Sensualidade] Na cachoeira ele fica completamente desnudo e se joga na água, Marina fica deslumbrada com os atributos do rapaz e tudo o que vê, em seguida, pula também. Os dois começam a brincar na água tacando água um no outro, eles se aproximam, os lábios deles se tocam, mas de repente ela se afasta, indo em direção a uma das rochas do local, Thiago a segue.

Thiago chega pelas costas dela a tocando, abaixa a alça de seu vestido e começa a dar beijos aveludados pelo corpo da moça, ela se afasta.

Marina - Não, não, eu não posso... Isso não é certo, isso é pecado... Eu tenho o dever de defender a minha honra!

Thiago - Amar não é pecado... Eu te conheço há tão pouco tempo Marina, mas parece que te conheço há tempos, há décadas, você é a mulher mais linda, mais determinada e apaixonante que eu já conheci... Eu não tenho dúvida que eu já te amo.

Marina - Pois você me passa essa mesma sensação Thiago, mas a vida não funciona assim como um conto de fadas, eu sou apenas a filha do coveiro da cidade, eu sou rotulada como lixo, o resto, tenho que estar conformada que irei me casar com um dos trabalhadores rurais, príncipes como você não existem, eu não sei nada sobre você, nem você de mim...

Thiago - Você está enganada, é claro que contos de fadas podem se tornar realidade, eu sou herdeiro de boa parte das terras deste local, eu vou fazer história nesse lugar, eu prometo Marina todos vão te reconhecer como minha mulher, eu juro! Amanhã mesmo haverá uma festa em meu nome no salão principal da cidade, você é minha convidada de honra, eu vou te apresentar como a minha futura esposa.

Marina chora emocionada. Do outro lado da mata, Madame Sabina  visualiza toda a cena e pensa consigo mesma.

Madame Sabina - Mortaaaaaaaaa! Tal mãe, tal filhaaaaaaa, sabiaaaaaaa que essas filhas do coveiro ora ou outra iam mostrar a que veiooooooooo, essa daí agindo por conta própria vai acabar é quebrando o meu negócio, vou precisar dela pra ontemmmmmmm (Risada maligna). 

Não percam o 2 capítulo amanhã ás 23:00 aqui, no Mega Play!

Pages